quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Sempre me incomodou a ideia de se deixar um bebê chorando sem oferecer o consolo que ele necessita. A reportagem a seguir é muito interessante pois mostra a importância do acolhimento, do amparo para que  o bebê tenha um desenvolvimento físico adequado do cérebro. Fico aqui imaginando como não será importante este acolhimento para o perfeito desenvolvimento emocional da criança para que ela se torne um adulto pleno. 

Diana






A forma como o bebê é tratado pela mãe nos seus primeiros anos de vida poderá determinar se seu cérebro terá um bom funcionamento. Uma pesquisa da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) comparou os cérebros de duas crianças de três anos de idade: de um lado, bem tratada por seus familiares, principalmente pela mãe; e de outro, negligenciada. O resultado da pesquisa mostrou que no caso da mãe que deu amor, carinho e se comportou como totalmente responsável pelo bebê, o cérebro dele cresceu plenamente. Enquanto que no caso oposto, quando a criança sofreu abuso ou foi maltratada, o cérebro mostrou-se menor e com pontos mais escuros, indicando que é menos desenvolvido.
— O desenvolvimento do circuito cerebral depende potencialmente de uma interação positiva entre a mãe e o bebê — apontou o professor do Departamento de Psiquiatria e Ciências Comportamentais da UCLA, Allan Schore, ao jornal britânico “The Telegraph”.
De acordo Schore, isto ocorre porque 80% das células cerebrais se desenvolvem na faixa dos 2 anos de idade, e se o processo de formação de conexões (sinapses) for prejudicado ou não for estimulado, o déficit poderá ser permanente. Ele ressalta que o bebê maltratado poderá ter sua inteligência afetada. Além disso, poderá crescer com menos empatia para com outras pessoas, mais propensão a ser viciado em drogas e a se envolver em crimes violentos. Ele ainda terá mais chances de ficar desempregado com frequência e de ter problemas de saúde e mentais. Esta descoberta, segundo o pesquisador, poderia ser um dos fatores a explicar, por exemplo, por que algumas gerações de famílias tendem a enfrentar um ciclo difícil de quebrar de falta de escolaridade, desemprego persistente, pobreza, vícios como o de álcool e drogas, assim como o envolvimento em crimes.
Maior risco de ansiedade e depressão
Em janeiro deste ano, a Escola de Medicina da Universidade de Washington publicou o primeiro estudo mostrando mudanças na anatomia cerebral no caso de crianças que tinham sido negligenciadas por seus pais. A pesquisa, publicada no periódico “Proceedings of the National Academy of Sciences” (Pnas), apontou que crianças que foram bem cuidadas por suas mães nos primeiros anos de vida tinham o hipocampo do cérebro maior. Essa estrutura é fundamental para o aprendizado, a memória e a resposta ao estresse. Neste estudo, os pesquisadores analisaram as imagens dos cérebros de 92 crianças, revelando que aquelas que tinham recebido afeto e sido bem alimentadas tinham o hipocampo 10% maior que as crianças cujas mães tinham sido negligentes.
Chefe da psiquiatria infantil da Santa Casa do Rio de Janeiro, Fábio Barbirato lembra que desde o século XVII estudos vêm tentando relacionar o desenvolvimento cerebral com o carinho dos pais. Ele lembra que já em 1621 o médico americano Richard Button apontou que crianças negligenciadas tinham mais propensão a sofrer de depressão e ansiedade. Barbirato diz que que os trabalhos ainda são inconclusivos, mas que este é um conhecimento já intuitivo da comunidade científica.
— Nada foi de fato comprovado, porque os estudos são ainda pouco amplos, foram feitos com um número reduzido de pacientes. Mesmo assim, na prática clínica, isto já é verificado. E em palestras já costumamos ressaltar para as mães a importância de cuidar bem de seus filhos — explicou Barbirato. — A nossa preocupação é, por exemplo, com as mães usuárias de crack ou com as crianças que perderam os pais.
Segundo o psiquiatra, a criança que não for bem tratada poderá, no futuro, apresentar, além de depressão e ansiedade, dificuldade de aprendizado e de relacionamento com outras pessoas. Barbirato explica que até os 5 anos o córtex pré-frontal ainda não está totalmente formado. E a falta de estímulos, como o carinho, pode prejudicar este crescimento.
— Até esta idade, estão se formando muitas sinapses no córtex pré-frontal. E seu desenvolvimento precisa de estímulos, que vêm do afeto — afirmou.


Fonte: Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/saude/o-impacto-do-amor-6580249#ixzz2AvbIiJn4
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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Marcha pela Humanização do Parto também em Jundiaí

Mulheres realizam Marcha pela Humanização do Parto em 05/08/2012

Marcha pela Humanização do Parto
Esse evento precisa de homens, mulheres, crianças.. todos estão convidados! Terminaremos com um mamaço, então as lactantes estão mais que convidadas!


Movimento quer chamar atenção da sociedade para a importância da humanização da assistência obstétrica no Brasil.
Mulheres a favor da humanização do parto realizarão um protesto no próximo domingo (5/8), na altura do Posto 9 da praia de Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro. A marcha vai receber caravanas de mulheres do todo o Brasil e também vai ser realizada em outras cidades brasileiras, como Recife, Fortaleza, João Pessoa, Salvador, São Paulo, Araraquara, Florianópolis, Londrina e Brasília. A expectativa é reunir pelo menos mil mulheres em prol da causa.
A ideia da manifestação surgiu após a publicação de duas resoluções do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro que proíbem que gestantes contem com a assistência das chamadas acompanhantes profissionais (obstetrizes, doulas e parteiras) em hospitais e maternidades, e ameaçam de punição médicos-obstetras que acompanhem partos domiciliares ou deem retaguarda a parturientes com necessidade de remoção de parto em casa para o hospital.
A exemplo da Marcha do Parto em Casa, ocorrida no mês de junho, essa manifestação foi idealizada a partir da indignação de mulheres nas redes sociais em todo o Brasil, que acreditam que os direitos sexuais e reprodutivos da mulher devem ser respeitados. O objetivo principal desse movimento é chamar atenção da sociedade civil para uma questão mais abrangente, que afeta toda e qualquer mulher que foi ou pretende ser mãe através do sistema de saúde brasileiro, seja público ou privado.
As manifestantes classificam a decisão do Cremerj como arbitrária. O argumento é que as resoluções contrariam a Política Nacional de Humanização da Saúde, diretriz do Ministério da Saúde, além de evidências científicas que comprovam a melhoria da qualidade da experiência do parto e a redução de intervenções médicas desnecessárias quando um parto é assistido por doulas e obstetrizes. As resoluções também seriam contrárias ao próprio Código de Ética Médica, que fala do respeito à autonomia. “Capítulo I, inciso XXI – No processo de tomada de decisões profissionais, de acordo com seus ditames de consciência e as previsões legais, o médico aceitará as escolhas de seus pacientes, relativas aos procedimentos diagnósticos e terapêuticos por eles expressos, desde que adequadas ao caso e cientificamente reconhecidas”.
O Brasil ocupa a primeira colocação mundial em realização de cesarianas. As taxas desse tipo de cirurgia chegam a 52%, superando os 80% em hospitais privados e em alguns chegando a ultrapassar os 90%, em grande parte, sem uma real e justificável indicação clínica, quando o máximo recomendado pela OMS é de 15%. As manifestantes acusam o Cremerj de promover a perpetuação de um modelo violento, que tira o poder e o direito de escolha da mulher, violando assim, seus direitos reprodutivos. Diversos estudos demonstram que as altíssimas taxas de cesáreas em hospitais brasileiros não ocorrem a pedido das mulheres, uma vez que a maior parte delas demonstra preferência por parto normal, sendo conduzidas no decorrer da gestação a mudarem de opinião pelos próprios obstetras.

Posicionamento de outras entidades e andamento das ações

A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro estuda pedir explicações ao Conselho Regional de Medicina (Cremerj) sobre as resoluções, pois considera a determinação ilegal por ferir o direito de decisão da mulher. A lei federal permite a escolha de qualquer pessoa para estar com ela na hora do parto, sem ressalvas. Em reunião, a Defensoria e o Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos decidiram instaurar dois procedimentos de instrução - um para cada resolução do Cremerj - para analisar o caso. Além disso, o Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro entrou com uma ação civil pública para anular a decisão.
O Conselho Federal de Medicina também se posicionou alegando que vai investigar o caso. O órgão se reúne na segunda semana de agosto e pode até vetar as determinações do colegiado fluminense.
Já o Ministério da Saúde, instância maior em Saúde Pública no país, reconhece o trabalho das parteiras e das doulas, garantindo, inclusive, dentro das ações desenvolvidas pelo programa Rede Cegonha, a capacitação e qualificação dessas profissionais para atendimento de parto humanizado pelo Sistema Único de Saúde.

Acompanhantes profissionais e evidências científicas
A participação de obstetrizes (profissionais formadas em curso superior de Obstetrícia) e doulas (acompanhantes profissionais de parto, responsáveis pelo conforto físico e emocional da parturiente durante o pré-parto, nascimento e pós-parto) integra o modelo de assistência obstétrica humanizado e centrado na mulher e tem demonstrado resultados até superiores ao esperado. De acordo com a base de dados em saúde Biblioteca Cochrane, em uma assistência promovida por obstetrizes há maiores chances de partos normais espontâneos e sem anestesia, além de maior sensação de controle durante o nascimento do bebê e mais facilidade para dar início ao aleitamento materno.
Em relação às doulas, 21 ensaios clínicos com mais de 15 mil mulheres mostraram que aquelas que receberam esse tipo de suporte relataram maior satisfação com a experiência do parto, tiveram menor duração do trabalho de parto e menor risco de cesariana, entre outras vantagens.

Reivindicações da Marcha
§ Que a mulher tenha o direito de escolher como, com quem e onde deve parir;

§ O cumprimento da Lei 11.108, de abril de 2005, que garante que a mulher tenha preservado o direito ao acompanhante que ela desejar na sala de parto;

§ Que a mulher possa ter o direito de acompanhamento de uma doula em seu trabalho de parto e parto;

§ Que a mulher, sendo gestante de baixo risco, tenha o direito de optar por um parto domiciliar planejado e seguro, com equipe médica em retaguarda caso necessite ou deseje assistência hospitalar durante o trabalho de parto;

§ Que a mulher tenha o direito de se movimentar livremente para encontrar as posições mais apropriadas e confortáveis durante seu trabalho de parto e parto;

§ Que a mulher possa ter acesso a métodos naturais de alívio de dor durante o trabalho de parto, que consistem em: massagens, banho quente, compressa, etc;

§ Um basta em relação à violência obstétrica e intervenções desnecessárias que consistem em: comentários agressivos, direcionamento de puxos, exames de toque em demasia, episiotomia (corte na vagina), etc;

§ Que haja fiscalização das altas taxas de cesáreas nas maternidades brasileiras e que as ações cabíveis sejam tomadas no sentido de reduzir essas taxas;

§ Que haja humanização também na assistência aos recém-nascidos, contra as intervenções de rotina;

§ Que a mulher que optar pelo parto domiciliar tenha direito ao acompanhamento pediátrico caso deseje ou seja necessário.

Sobre a escolha pelo parto domiciliar
A escolha pelo parto domiciliar nada mais é do que uma consequência natural de um sistema de saúde que não tem agradado. O crescimento e a curiosidade em torno dessa escolha têm evidenciado a insatisfação das mulheres em relação à assistência obstétrica atual brasileira, que não respeita a autonomia de mãe e bebê em um momento tão importante quanto o nascimento.
Há vários estudos comprovando a segurança do parto domiciliar. Um deles, realizado na Holanda, analisou quase 680 mil mulheres com gravidezes de baixo risco cujos partos foram atendidos entre 2000 e 2007 e que tiveram chance de escolher entre parto domiciliar ou hospitalar. Os resultados demonstraram que houve 0,15% de morte perinatal para o parto em casa e 0,18% para o parto hospitalar.
A pesquisa concluiu que um parto domiciliar planejado não aumenta os riscos de mortalidade e morbidade perinatal grave entre mulheres de baixo risco, desde que o sistema de saúde facilite esta opção através da disponibilidade de parteiras treinadas e um bom sistema de referência e transporte.


Deborah Trevizan
Jornalista/ Assessora de Imprensa
JORNAL BRASIL - matérias - Mulheres realizam Marcha pela Humanizaçao do Parto